quarta-feira, 23 de junho de 2010

"Hipertexto"

Pergunta da Laura: O hipertexto permite uma maior facilidade quando buscamos informações pontuais em um texto. Você acredita que ele teria apenas um caráter informativo ou não? É possível obter conhecimentos mais que informativos em um hipertexto?

          Vejo que o conhecimento nós podemos adquirir de diversas maneiras, lendo um jornal ou revista, um livro, um artigo, um poema, enfim diferentes textos. E por que não podemos obter conhecimento por meio do hipertexto? Acredito que o hipertexto assim como outros textos (informativos ou não) podem contribuir para o conhecimento já que traz em si uma extensão de significados. Todo o nosso conhecimento depende do que buscamos, como e porquê.
          O hipertexto de nada contribuirá para o nosso conhecimento se não houver um sentido para ele, agora a partir do momento em que ele tem um objetivo e um significado para algo que queremos saber, ele ganha um sentido podendo contribuir para o nosso conhecimento. Assim dependendo daquilo que buscamos saber num hipertexto, ele pode ter um caráter apenas informativo ou não.

"O Ato de Escrever"

Pergunta da Renata Padilha: Após o conhecimento e a reflexão sobre o processo cognitivo da escrita, quais são os benefícios deste estudo na prática da escrita?

         Quando o processo cognitivo da escrita fica claro para aquele que escreve, pode facilitar a prática da escrita, pois no momento da produção de um texto, o escritor conhece seu modo de funcionamento ao escrever.
         Eu, por exemplo, passo pelas seguintes etapas: planejamento, produção de texto e revisão. Ou seja, primeiro penso e reflito sobre aquilo que quero escrever, trazendo à memória tudo o que já vi, ouvi, e vivi sobre determinado assunto; depois de um breve planejamento das idéias, passo para a produção do texto escrito, colocando no papel o que quero falar sobre o tema escolhido, tentando manter uma coerência e uma linearidade; por último faço a revisão daquilo que escrevi, avaliando e alterando o que for preciso.
         Porém, não sei ao certo se todas as pessoas passam por este processo. Acho que muitas não planejam com cuidado aquilo que irá escrever, deixando o texto escrito desconexo e sem sentido, mas quando passamos a nos conhecer como escritores e como funcionamos quando escrevemos, tomamos cuidado com a nossa escrita, com aquilo que queremos dizer e melhorando a qualidade de nosso texto.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

"O Ato de Ler"

"Ao conceber a atividade da leitura como sendo um diálogo que se estabelece entre o leitor e o autor através do texto, nos deparamos com uma pluralidade de leituras. Em sua opinião, quais os pontos positivos e negativos desse fato para o ensino da leitura?"

        Esta pergunta refere-se ao 3º Seminário, formulada por Flávia.
        Na minha opinião, o ensino da leitura só tem a se beneficiar com a pluralidade e diversidade de leitura. Quando lemos um livro ou texto entramos em contato com o universo do autor, sua maneira de escrever e pensar sobre determinado assunto, mas ao mesmo tempo que entramos em seu universo nossas experiências, vivências, pensamentos e conhecimentos estão em contato com a leitura. Ao lermos há uma miscigenação de ideias tanto do autor quanto nossas que vão construindo, dando significado e vida ao texto lido. No ato de ler não há como ignorar a figura do leitor com todas as suas vivências nem a figura do autor que tem um propósito para escrever um texto/ livro; no ensino da leitura devemos levar em conta estas duas figuras, pois diferentes interpretações sobre um texto são válidas, mas o objetivo de um texto ser escrito não pode cair no esquecimento.

"História da escrita"

"A escrita cuneiforme possibilitou maiores nuances de sentidos e matizes de significados, possibilitando assim o registro de uma literatura muito mais rica e complexa. A sofisticação na escrita aumentou muito, mas será que a escrita pode ser considerada tão rica ou eficiente quanto a nossa linguagem oral?"

         Esta pergunta refere-se ao 1º Seminário, do qual participei, formulada por Renata Catib.
         Acredito que a escrita é muito importante assim como a linguagem oral. Não podemos dizer que uma é mais rica ou eficiente quanto a outra, mas sim considerá-las como instrumentos que atendem necessidades diferentes. A linguagem oral, por exemplo, se torna eficiente quando há uma outra pessoa presente para haver o diálogo/ a escuta; já a escrita tem sua eficiência quando não há pessoa presente para dialogar e assim se consegue comunicar aquilo que deseja, por meio de textos, cartas, mensagens...
         Não podemos negar que tanto a escrita como a linguagem oral são importantíssimas para o ser humano, pois através delas o homem registrou sua história e construiu culturas/ civilizações. 

quarta-feira, 9 de junho de 2010

"Os leitores silenciosos"

Pergunta da Samanta: O texto “A história da leitura”, apresenta a passagem da leitura oral para a silenciosa, colocando a leitura silenciosa em evidencia como um ganho histórico. Com base no texto e levando em consideração suas experiências pessoais, reflita sobre a diferente sensação, interpretação e atenção que se dá a um texto lido silenciosamente por você, e um lido em voz alta para você.

          Em relação ao texto lido silenciosamente por mim e o texto lido em voz alta para mim, tenho a preferência pela leitura silenciosa, pois consigo me concentrar mais naquilo que estou lendo, isso acontece porque acho que desde os primórdios de minha vida como leitora, fui treinada a me concentrar e compreender a leitura silenciosa do que a escutar leituras feitas por outros.
          Tive pouco contato com as leituras feitas em voz alta por outros, exceto na escola pelos os professores, mas fora isso não havia em minha casa, ou em outros ambientes, leituras em voz alta. Por exemplo, quando vou a algum lugar, como numa reunião de professores da escola onde trabalho, consigo compreender mais um certo assunto a ser discutido, se há um texto no qual posso ler antecipadamente em silêncio, do que se a diretora ou outra pessoa lê em voz alta, pois me disperso e começo a pensar em outros assuntos.
          O texto lido em silêncio possibilita marcações ao lado, grifos, relações, que algumas vezes no texto lido em voz alta nos escapa, passa desapercebido. Mas, o texto lido em voz alta, por exemplo, num grupo, pode suscitar comentários, lembranças, trocas que talvez o silencioso não suscitaria.
          Não há a melhor ou a pior forma de ler, o importante é escolhermos a maneira com a qual melhor compreendemos a leitura!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Questão referente ao Seminário

Leia o trecho abaixo, retirado do texto "Práticas de Escrita":

"escrever é uma prática social, isto é, resulta do desenvolvimento de uma tecnologia específica, de um conhecimento longamente assimilado durante anos de formação, o qual terá funções diferentes em épocas e lugares distintos, participando de inúmeras maneiras da dinâmica da sociedade".

Explique a prática social da escrita assim compreendida a partir de um exemplo, demonstrando como essa afirmação é verdadeira.

domingo, 23 de maio de 2010

Seminário: "A invenção da escrita: os primeiros escritores e leitores"

Resumo do Texto: "Práticas de escrita" *

Resumo Geral
     O tema central deste texto é a questão do escrever como uma prática social, esta é resultado de uma tecnologia específica (tabuinhas de argila, papel, papiro, pergaminho, impressão), de um conhecimento acumulado, que terá diversas funções em épocas e lugares diferentes, possibilitando transformações na sociedade. A invenção da escrita surgiu, sobretudo, como uma necessidade humana de registrar suas produções, mas com o passar do tempo a função da escrita sofre modificações, sendo utilizada com diferentes objetivos, como meio de comunicação, dominação, libertação ou revolução.

Resumo Detalhado
     A escrita é uma invenção recente, seus primeiros registros não ultrapassam de cinco mil anos. Este texto não tem como objetivo falar sobre a história da escrita, mas de mostrar seu caráter de invenção e os fatos que envolvem seu surgimento e mudanças.
     A escrita, diferentemente da pintura rupestre, acredita-se que surgiu a partir do ato de calcular, ajudando o homem a registrar aquilo que contava, por meio de figuras e símbolos que representavam aquilo que se contava. Após esses cálculos, passou-se escrever sobre tabuinhas de argila, neste momento os signos deixaram de representar apenas objetos e passaram a ter muitas significações (por exemplo: ave + ovo = fecundidade).
     Na Mesopotâmia, a escrita era usada para necessidades comerciais, as representações gráficas de alguns produtos eram feitas ao lado da representação de sua quantidade. Aos poucos esses pictogramas passaram a funcionar como representação fonética, por exemplo, a figura não representava o objeto desenhado, mas sim a primeira sílaba, assim a palavra boca era representada pelos pictogramas (bo)i e (ca)valo.
     A incerteza entre a representação pictográfica da imagem e sua representação fonética também será marca dos hieróglifos egípcios, decifrados apenas no século XIX.
     O domínio da escrita por uma classe privilegiada funcionou, e ainda funciona, como forma de dominação. O conhecimento da escrita pertencia, sobretudo, aos escribas ligados às instâncias do poder.
     Um fator decisivo na história da escrita foram as evoluções nos suportes da grafia que possibilitou a estruturação desta. Os materiais utilizados, como as tabuinhas de argila, dificultavam o armazenamento e manuseio destes suportes, o surgimento do papel na China e do papiro no Egito começa a mudar este fato.
     Na Idade Média, o uso dos pergaminhos facilitou a costura e a formação do manuscrito, dando origem ao livro. A circulação dos textos dependia de cópias feitas manualmente, mas esta forma de reprodução fazia com que houvesse erros e variações nos textos escritos.
     Mesmo com o surgimento da imprensa, ainda ocorriam versões variadas de um mesmo texto, mas por muitos séculos, as edições impressas conviveram com as manuscritas. Apesar da imprensa ter surgido, no Ocidente, no final do século XV, a produção impressa só teve efeitos significativos a partir do século XVIII, por conta do projeto burguês de educação universal, originando um universo significativo de leitores; só depois deste último século observou-se uma divisão clara entre os textos manuscritos e os impressos.
     Outra grande transformação sociocultural foi o surgimento da máquina de escrever, no século XVIII, e mais tarde o computador, no século XX, que possibilitaram impressos privados e uma grande variedade e quantidade de circulação de informação.
     No Brasil, a escrita e a leitura possuíam diferentes caráteres, constituindo papéis específicos para a sua utilização, durante a escravidão se fez claro a distinção entre os poucos que dominavam o alfabeto que faziam parte da cultura oficial, sobretudo os senhores de engenho e os analfabetos que faziam parte da cultura popular, grande parte dos escravos, a escrita neste contexto estava no limiar da ordem e da autoridade. A escrita servia como forma de dominação entre portugueses e índios, os primeiros julgavam que os índios como bárbaros por não possuírem a escrita, pois para os europeus toda a cultura letrada era constituída pelo rei, a lei e a religião. Por outro lado, há uma íntima relação entre o desenvolvimento das práticas de escrita e da diversidade de leituras com a Inconfidência Mineira, pois neste momento a leitura e a escrita tinham um caráter de Revolução, as pessoas eram influenciadas por leituras que defendiam ideais iluministas. Também a escrita e a leitura tinham um caráter de liberdade, quem possui domínio sobre as letras poderiam ter mais conhecimento, por isso Portugal durante muitos anos controlou a impressa dificultando a circulação de impressos no Brasil.
     Assim, conclui-se que a produção escrita teve diferentes objetivos e usos em épocas e contextos históricos variados.

                                           * PINO, Claúdia A.; ZULAR, Roberto. Práticas de escrita. In: _________.    Escrever sobre escrever: uma introdução crítica à crítica genética. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2007, p. 49-65.

Resumo Detalhado: "Os Livros na Idade Média"

         O texto "Os Livros na Idade Média", de Jacques Verger, fala sobre a dificuldade do acesso ao livro na Idade Média. Por meio de um levantamento histórico, o autor explicita os diversos fatores que contribuíram para que o acesso ao livro fosse dificil, como o alto custo de confecção dos livros (material e copistas), poucas bibliotecas com poucos volumes e os homens do saber como os únicos detentores de livros. Apesar do advento da imprensa, durante anos, mudou-se pouco este cenário.

          O principal obstáculo que tornou difícil o acesso ao livro foi de ordem econômica. O material de suporte (pergaminho) e a mão-de-obra dos copistas tinham um alto custo que interferia na produção e aquisição do livro. Com a substituição do pergaminho pelo papel houve uma diminuição nos custos, que não foi tão significativa, o livro ainda continuava sendo um artigo caríssimo. Com a substituição dos copistas profissionais por copistas amadores, reduziu-se um pouco mais o preço do livro, porém este tinha uma baixa qualidade já que o trabalho continha erros e modificações textuais.
          Pelo fato do livro ter um alto custo econômico, somente algumas pessoas possuíam poucos volumes e consequentemente, algumas bibliotecas; dentre elas estavam os príncipes, reis, nobres e os homens de saber. Assim, existiam três tipos de bibliotecas: as principescas, nas quais somente alguns familiares tinham acesso; as eclesiásticas, nas quais não se sabe se outras pessoas que não fossem cônegas tinham acesso e as univeristárias, nas quais podiam frequentar, sobretudo, estudantes.
         Foi a partir da invençao da tipografia, no século XV, que se iniciou a transição do livro manuscrito para o impresso, o que aconteceu de forma lenta, não extinguindo a figura do copista. Apesar da invenção da tipografia, ainda no início do século XVI, era possível ter transcrições manuais de livros.Os que possuíam livros manuscritos tinham a tendência de conservá-los, não querendo substituí-los pelos livros impressos.
         Assim, pode-se concluir que, mesmo com a origem da imprensa, não houve uma mudança significativa até o ano de 1500 na proporção e composição das bibliotecas. A substituição do livro manuscrito para o livro impresso se deu de forma lenta, e por muito tempo o livro continuou sendo um artigo caro e de difícil acesso. Só depois de anos, que a imprensa possibilitou a expansão do público da cultura escrita e o aumento considerável na proporção dos volumes de livros das bibliotecas.

Resumo Geral: "Os livros na Idade Média"

O texto "Os Livros na Idade Média", de Jacques Verger, fala sobre a dificuldade do acesso ao livro na Idade Média. Por meio de um levantamento histórico, o autor explicita os diversos fatores que contribuíram para que o acesso ao livro fosse dificil, como o alto custo de confecção dos livros (material e copistas), poucas bibliotecas com poucos volumes e os homens do saber como os únicos detentores de livros. Apesar do advento da imprensa, durante anos, mudou-se pouco este cenário.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Roda de Leitura (A saga continua...)

Quando apresentei na "Roda de Leitura" o livro lido por mim ("O itinerário de Pasárgada", de Manuel Bandeira) muitos trechos foram selecionados para futuras postagens... Mas, além do trecho exposto na postagem anterior, tem mais um que gostaria de compartilhar com vocês. Já havia lido na classe, mas acho importante colocá-lo no blog, pois justamente explicita o modo de Manuel Bandeira escrever seus poemas nos ajundando a pensar e refletir sobre o nosso próprio modo de escrever.

"Não faço poesia quando quero e sim quando ela, poesia, quer. E ela quer às vezes em horas impossíveis: no meio da noite, ou quando estou em cima da hora para ir dar uma aula na Faculdade de Filosofia ou sair para um jantar de cerimônia... "A última canção do beco" nasceu num momento destes, só que o jantar não era de cerimônia. Na véspera de me mudar da Rua Morais e Vale, às seis e tanto da tarde, tinha eu acabado de arrumar os meus troços e caíra exausto na cama. Exausto da arrumação e um pouco também da emoção de deixar aquele ambiente, onde vivera nove anos. De repente a emoção se ritmou em redondilhas, escrevi a primeira estrofe, mas era hora de vestir-me para sair, vesti-me com os versos surdindo na cabeça, desci à rua, no beco das Carmelitas me lembrei de Raul de Leoni, e os versos vindo sempre, e eu com medo de esquecê-los, tomei um bonde, saquei do bolso um pedaço de papel e um lápis, fui tomando as minhas notas numa estenografia improvisada, se não quando lá se quebrou a ponta do lápis, os versos não paravam... Chegando ao meu destino, pedi um lápis e escrevi o que ainda guardava de cor... De volta a casa, bati os versos na máquina e fiquei espantadíssimo ao verificar que o poema se compusera, à minha revelia, em sete estrofes de sete versos de sete sílabas." (BANDEIRA, 1984, págs. 118 e 119)*

Diante de tantos autores lidos por nós todas durante as aulas, deste trecho de Manuel Bandeira e de nossas experiências de vida, pude perceber que o ato de escrever é tão individual quanto o nosso modo de ser, o que eu quero dizer com isso, é que ao escrever não tomamos um livro de receitas e fazemos nossos textos seguindo passos comuns a todas as pessoas. O interessante é que cada ser humano tem um jeito próprio de escrever e por isso, possuímos tantas produções ricas e diversas em pensamentos, estilos e formas; aquelas que combinam com a gente e aquelas que não combinam. Acredito que lendo e discutindo este diferentes autores, além de ampliar nosso conhecimento literário, estamos tendo a possibilidade de conhecer diferentes modos de escrever, alguns mais metódicos, outros mais livres, outros ainda um pouco complexos, uns mais interessantes, outros menos interessantes, porém todos contribuindo com a nossa formação de "escritores".

                                                                      *BANDEIRA, M. Itinerário de Pasárgada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

Roda de Leitura (continuação...)

Bem, como eu já tinha dito na postagem anterior como gostei de saber sobre a história do poema "Vou-me embora p'ra Pasárgada" e não tive a oportunidade de ler durante a roda de leitura, então colocarei na íntegra o excerto do livro de Manuel que fala de toda esta história:

 ' "Vou-me embora p'ra Pasárgada" foi o poema de mais longa gestação em toda a minha obra. Vi pela primeira vez esse nome de Pasárgadaquando tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego. Estava certo de ter sido em Xenofonte, mas já vasculhei duas ou três vezes a Ciropédia e não encontrei a passagem. O douto frei Damião Berge informou-me que Estrabão e Arriano, autores que nunca li, falam na famosa cidade fundado por Ciro, o antigo, no local preciso em que vencera a Astíages. Ficava a sueste de Persépolis. Esse nome de Pasárgada, que significa "campo dos persas" ou "tesouro dos persas", suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias, como o de "L'invitation au voyage" de Baudelaire. Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda sensação de tudo o que eu não tinha feito na minah vida por motivo da doença, saltou-me de súbito do subconsciente esse grito estapafúrdio: "Vou-me embora p'ra Pasárgada!" Senti na redondilha a primeira célula de um poema, e tentei realizá-lo, mas fracassei. Já nesse tempo eu não forçava a mão. abondonei a ideia. Alguns anos depois, em idênticas circunstâncias de desalento e tédio, me ocorreu o mesmo desbafo de evasão da "vida besta". Desta vez o poema saiu sem esforço como se já estivesse pronto dentro de mim. Gosto desse poema também porque parece que nele soube transmitir a tantas outras pessoas a visão e promessa da minha adolescência - essa Pasárgada onde podemos viver pelo sonho que a vida madrasta não nos quis dar. Não sou arquiteto, como meu pai desejava, não fiz nenhuma casa, mas reconstruí e "não como forma imperfeita neste mundo de aparências", uma cidade ilustre, que hoje não é mais a Pasárgada de Ciro, e sim a "minha" Pasárgada.' (BANDEIRA, 1984, págs. 97 e 98)*

O que mais me impressionou neste excerto, no qual Manuel Bandeira fala sobre o seu poema, além da simplicidade e delicadeza, foi pensar sobre como temos o poder de inventar e construir nosso mundo de fantasias, ilusões, desejos e sonhos através das palavras, como estas nos possibilitam entrar em contato com tudo aquilo que está no nosso imaginário e que por muitas vezes nos faz felizes e realizados como seres humanos. Por meio das palavras nós temos o poder de criar e falar sobre tudo o que queremos por mais estranho que seja e fazer com que as coisas sejam como a gente quer... Foi nisso que pensei quando li este trecho! E você o que pensou?

                                                   * Trecho extraído do livro: BANDEIRA, M. Itinerário de Pasárgada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Roda de Leitura

Não sei se estou me antecipando, mas esta semana não sei o que exatamente devo escrever... parece-me que sempre faltam ideias, palavras... mas tenho que escrever, não é mesmo? Digo que não sei se estou me antecipando, pois a única coisa que me vem a cabeça é o livro que estou lendo para a "roda de leitura" de quinta-feira. Fiquem tranquilas, pois não contarei o conteúdo do livro que estou lendo, que por sinal não é segredo para ninguém ("Itinerário de Pasárgada" de Manuel Bandeira), mas quero deixar registrado nesse blog e compartilhar com vocês o lindo poema escrito por este autor que possui o nome parecido com o livro: 

Vou-me Embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei.

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive.


E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada.


Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar.


E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
                                          Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

Por que escolhi compartilhar este poema com vocês? Porque ao ler o livro descobri o motivo pelo qual Manuel Bandeira utilizou o nome da cidade chamada Pasárgada, batizando assim seu poema e depois seu livro. Na verdade, fiquei encantada pela história deste poema (como por todas as histórias que Manoel conta em seu livro) que contarei, se possível, na quinta-feira. Então, vocês terão que esperar um pouquinho para saber mais detalhes... por enquanto fiquem com o poema, que ao meu ver já está de bom tamanho.
Bem, enfim, não sei se era para escrever sobre isto, mas tive vontade e então escrevi...

quarta-feira, 31 de março de 2010

"Leitura" e "Memória de Livros" *

Ao ler estes dois textos, lembrei-me da minha própria história de vida. É engraçado nos deparmos com as nossas lembranças de como começamos a escrever e como se deu o nosso processo de leitura. Na minha casa, nunca teve muitos livros a não ser aqueles indicados pela escola, meus pais nunca foram de ler livros de literatura, e sim jornais e revistas. Minha mãe pouco leu ou contou histórias para mim e meu irmão na beirada da cama quando íamos dormir, mas sempre escutei histórias do meu avô paterno sobre sua infância em uma fazenda de Bragança Paulista, histórias que eram emocionantes.
Talvez seja daí a minha paixão pelas histórias, hoje adoro ler, leio de tudo, mas não gosto muito de jornais, será ironia? Não culpo meus pais por não terem comprado diversos livros para eu ler quando criança (porque sei que também não foram criados para ler), nem a escola pelo pouco incentivo ao gosto pela leitura, mas sinceramente não sei de onde vem a paixão pelos livros, só sei que amo ler (mais do que escrever)... Aí ficam as dúvidas que nunca serão esclarecidas, o ambiente ajuda ou não formar bons leitores ou escritores? Não sei, só sei que o ambiente da minha infância não me propiciou grandes incentivos à leitura e à escrita, mas hoje não consigo viver sem ler livros...

                                            * RAMOS, Graciliano. Leitura. In: Infância. Rio de Janeiro: Record, 1998, p. 95.
                                             * RIBEIRO, João Ubaldo. Memória de Livros. In: Um brasileiro em Berlim. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995, p. 137.

quarta-feira, 24 de março de 2010

"A Filosofia da Composição" de Edgar Allan Poe

Ao ler este texto e discuti-lo em sala de aula, pude me apropriar da maneira como Edgar Poe escreve seus poemas, em particular, "O Corvo", confesso que a leitura deste texto foi um tanto difícil quanto o poema, para ser exata um pouco cansativo por ter tantos detalhes, mas muito interessante por trazer em sua essência o modo que alguém compõe um poema. Fiquei impressionada com a preocupação de Edgar em escrever algo tão rigoroso em sua métrica, significado e sonoridade das palavras. Sinceramente, gosto de saber como escritores e compositores escrevem suas poesias, narrativas, romances, músicas, enfim, a história daquele texto, quais as emoções envolvidas, o que o levou a escrever...
Mas, por outro lado, saber como o texto foi escrito e em quais circunstâncias dependerá de sua leitura, ou seja, geralmente procuramos saber mais sobre aquilo que estamos lendo se isso nos tocou de alguma forma ou se gostamos da leitura; o que é desvantajoso ao meu ver, pois perdemos muito de conhecer a forma de pensar dos diversos autores que entramos em contato no nosso dia-a-dia, ficando mais fácil falarmos que não gostamos da leitura feita do que estudar, pesquisar sobre a forma daquele escritor compor sua obra e ter subsídios para elogiá-lo ou criticá-lo.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Discussões, reflexões e crescimento

A discussão feita na aula passada baseada nos textos de Rachel de Queiroz, me fez perceber o quanto os seres humanos são diferentes e como estes podem pensar de diferentes modos sobre um mesmo assunto. Penso que a diversidade de pensamentos, crenças e valores traz reflexões sobre pontos de vistas divergentes e que isso nos faz crescer como pessoas que tem como um dos objetivos da vida ser educadores. Aulas que nos fazem pensar, discutir e refletir nos mostra um caminho a trilhar, uma prática pedagógica a seguir, acredito que a educação seja sinônimo de reflexão.
Pense como a vida seria chata se todos pensássemos iguais, não haveria movimento, transformação; as pessoas com o passar do tempo pensam diferente, isso fica claro nos dois textos de Rachel, em um momento ela defende a ideia de que a escrita se dá por meio da "inspiração" e num segundo momento (alguns anos depois), ela parece não concordar tanto com esta concepção.
Acredito que o importante não é chegarmos a um consenso, mas construirmos um conhecimento sólido, com reflexões críticas.

"O Corvo" *

Bem, por onde começar? Na verdade, fiquei empolgadíssima para ler este poema, pois se tratava de uma obra traduzida por Fernando Pessoa (um poeta que admiro muito), mas ao ver o tamanho do texto já me assustei, olhei para o nome do escritor do poema (Edgar Poe) e para ser sincera nunca tinha ouvido falar nesta pessoa.
Então, resolvi ler o texto, na sala não me incomodei com o barulho, mas estava difícil de compreender o poema, não conseguia entender do que se tratava, comecei a fazer um paralelo de que o corvo (título)estava relacionado com a morte, talvez se tratasse de um poema que falasse do fim da vida (primeira hipótese levantada por mim), mas mesmo assim as palavras utilizadas não ajudavam na compreensão, a começar com "umbrais"; assim abri o link do dicionário on line, para ver o que significava; parei na sétima estrofe, estava realmente difícil para mim, voltei ao começo do poema lendo bem lentamente para ver se entendia sua essência e pouca coisa se modificou, não consegui chegar ao final.
Resolvi, então, pesquisar sobre o escritor do poema, quem foi, em que época viveu, quais suas obras mais significativas, depois desta breve pesquisa, vi (no site de busca Google) que havia outros escritores que traduziram este mesmo poema, uma na versão em prosa - Helder da Rocha, e outra na versão em verso - Machado de Assis, li o que ambos escrevem e depois retornei a ler a tradução de Fernando Pessoa, ficando mais claro do que o poema falava.
Percebi, então, que o ato de ler, assim como o de escrever é um processo lento e trabalhoso, temos, muitas vezes, que recorrer ao dicionário, à outras pessoas que falaram do mesmo assunto, além dos nossas próprias vivências e interpretações para podermos compreender o que está escrito! Realmente é um trabalho árduo, mas essencial para minha vida!!

                        *Poema de Edgar Allan Poe - Tradução de Fernando Pessoa

quarta-feira, 10 de março de 2010

Como ser um escritor?

Não tenho o sonho de ser uma escritora, não teria a petulância de querer ser famosa e escrever livros que seriam "Best-selleres" (nem sei se é assim que se escreve), pois acredito que seria um fracasso, só gostaria de escrever bem, sem dificuldades, sem bloqueios, como acontece com a imaginação de uma criança que não tem limites, que acontece de uma forma livre e prazerosa.
Mas, me pergunto sempre como os grandes escritores conseguem escrever belos livros e fazer com que a gente sonhe com a sua história? Seria um dom, treino, ou um estado de inspiração? Não sei responder, só sei que eles conseguem e eu mal consigo fazer este blog... Mas acredito que não podemos desistir... Temos que escrever nossas mediocridades, pois só assim venceremos o medo de colocar as palavras no papel. Acho que minha dificuldade sempre esteve ligada ao olhar do outro, ou seja, ter que passar pela avaliação de outra pessoa quando lê o que estou escrevendo... E este blog me faz toda semana lembrar de que preciso escrever e mais do que isso que outras pessoas iram ler o que eu escrever!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Gente, desculpe a demora, sei que me atrasei para escrever algo... Mas acho que estou com a mesma dificuldade da Renata Catib: não sei sobre o que escrever! Fora a falta de tempo! Passei a semana pensando sobre o que eu iria postar... mas não veio nenhuma ideia! Como é difícil lidar com a falta de tempo, o cansaço e as obrigações. Acredito que esta dificuldade está relacionada a rotina frenética que estou vivendo neste momento, não sobrando tempo para refletir sobre coisas básicas da vida... Mas, terei que encontrar uma forma para que eu possa organizar melhor o meu tempo e poder fazer textos e reflexões com mais qualidade. Pelo menos, vejo que esta pequena reflexão já é o começo...   

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

"A criação do mundo: e outras lendas da Amazônia" de Vera do Val.

Esta semana li um livro chamado "A criação do mundo: e outras lendas da Amazônia" da autora Vera do Val, para trabalhar com meus alunos do 4°ano do Ens. Funadamental, as lendas e as explicações da criação do mundo e de outros fenômenos pelo olhar dos índios.
Acredito que vale a pena ler, já que se trata de histórias destinadas à crianças, que fazem parte do imaginário do povo indígena e assim, também da população brasileira.
Os contos selecionados neste livro por Vera  falam das origens da noite, das estrelas, da lua, dos rios, do mundo, das tribos. O interessante é ver a reação das crianças diante de explicações tão diferentes de nossas concepções sobre a origem das coisas. A discussão com as crianças, no meu caso, foi muito rica, pois esbarrou nos preceitos religiosos e científicos, possibilitando comparações e pontos de vista diversificados.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Porquinho-da-Índia


Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração eu tinha
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos, mais limpinhos,
Ele não se importava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
- O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.

(BANDEIRA, M. Os melhores poemas de Manuel Bandeira. São Paulo: Global, 2003.)


Sempre que leio este poema, lembro da minha infância, na qual as descobertas, as novas experimentações do mundo faziam parte do meu universo a todo o momento.
Quem nunca teve um animalzinho de estimação e passou muito tempo observando e querendo entender o seu mundo?
É dessas vivências e tantas outras que estou falando que marcam a nossa vida e nunca mais esquecemos.
Para mim, Manuel Bandeira consegue, por meio de seus poemas, traduzir os sentimentos humanos de uma forma simples, mas ao mesmo tempo tocante, contemplando todas a idades.
Acredito que postar este poema é uma forma interessante de começar meu blog... Já que a nossa vida começa com a infância, uma fase tão importante para nós.
Deixo uma sugestão: se você gosta de poesias, não deixe de ler Manuel Bandeira, muito provavelmente terá um poema que te tocará.