Resumo do Texto: "Práticas de escrita" *
Resumo Geral
O tema central deste texto é a questão do escrever como uma prática social, esta é resultado de uma tecnologia específica (tabuinhas de argila, papel, papiro, pergaminho, impressão), de um conhecimento acumulado, que terá diversas funções em épocas e lugares diferentes, possibilitando transformações na sociedade. A invenção da escrita surgiu, sobretudo, como uma necessidade humana de registrar suas produções, mas com o passar do tempo a função da escrita sofre modificações, sendo utilizada com diferentes objetivos, como meio de comunicação, dominação, libertação ou revolução.
Resumo Detalhado
A escrita é uma invenção recente, seus primeiros registros não ultrapassam de cinco mil anos. Este texto não tem como objetivo falar sobre a história da escrita, mas de mostrar seu caráter de invenção e os fatos que envolvem seu surgimento e mudanças.
A escrita, diferentemente da pintura rupestre, acredita-se que surgiu a partir do ato de calcular, ajudando o homem a registrar aquilo que contava, por meio de figuras e símbolos que representavam aquilo que se contava. Após esses cálculos, passou-se escrever sobre tabuinhas de argila, neste momento os signos deixaram de representar apenas objetos e passaram a ter muitas significações (por exemplo: ave + ovo = fecundidade).
Na Mesopotâmia, a escrita era usada para necessidades comerciais, as representações gráficas de alguns produtos eram feitas ao lado da representação de sua quantidade. Aos poucos esses pictogramas passaram a funcionar como representação fonética, por exemplo, a figura não representava o objeto desenhado, mas sim a primeira sílaba, assim a palavra boca era representada pelos pictogramas (bo)i e (ca)valo.
A incerteza entre a representação pictográfica da imagem e sua representação fonética também será marca dos hieróglifos egípcios, decifrados apenas no século XIX.
O domínio da escrita por uma classe privilegiada funcionou, e ainda funciona, como forma de dominação. O conhecimento da escrita pertencia, sobretudo, aos escribas ligados às instâncias do poder.
Um fator decisivo na história da escrita foram as evoluções nos suportes da grafia que possibilitou a estruturação desta. Os materiais utilizados, como as tabuinhas de argila, dificultavam o armazenamento e manuseio destes suportes, o surgimento do papel na China e do papiro no Egito começa a mudar este fato.
Na Idade Média, o uso dos pergaminhos facilitou a costura e a formação do manuscrito, dando origem ao livro. A circulação dos textos dependia de cópias feitas manualmente, mas esta forma de reprodução fazia com que houvesse erros e variações nos textos escritos.
Mesmo com o surgimento da imprensa, ainda ocorriam versões variadas de um mesmo texto, mas por muitos séculos, as edições impressas conviveram com as manuscritas. Apesar da imprensa ter surgido, no Ocidente, no final do século XV, a produção impressa só teve efeitos significativos a partir do século XVIII, por conta do projeto burguês de educação universal, originando um universo significativo de leitores; só depois deste último século observou-se uma divisão clara entre os textos manuscritos e os impressos.
Outra grande transformação sociocultural foi o surgimento da máquina de escrever, no século XVIII, e mais tarde o computador, no século XX, que possibilitaram impressos privados e uma grande variedade e quantidade de circulação de informação.
No Brasil, a escrita e a leitura possuíam diferentes caráteres, constituindo papéis específicos para a sua utilização, durante a escravidão se fez claro a distinção entre os poucos que dominavam o alfabeto que faziam parte da cultura oficial, sobretudo os senhores de engenho e os analfabetos que faziam parte da cultura popular, grande parte dos escravos, a escrita neste contexto estava no limiar da ordem e da autoridade. A escrita servia como forma de dominação entre portugueses e índios, os primeiros julgavam que os índios como bárbaros por não possuírem a escrita, pois para os europeus toda a cultura letrada era constituída pelo rei, a lei e a religião. Por outro lado, há uma íntima relação entre o desenvolvimento das práticas de escrita e da diversidade de leituras com a Inconfidência Mineira, pois neste momento a leitura e a escrita tinham um caráter de Revolução, as pessoas eram influenciadas por leituras que defendiam ideais iluministas. Também a escrita e a leitura tinham um caráter de liberdade, quem possui domínio sobre as letras poderiam ter mais conhecimento, por isso Portugal durante muitos anos controlou a impressa dificultando a circulação de impressos no Brasil.
Assim, conclui-se que a produção escrita teve diferentes objetivos e usos em épocas e contextos históricos variados.
* PINO, Claúdia A.; ZULAR, Roberto. Práticas de escrita. In: _________. Escrever sobre escrever: uma introdução crítica à crítica genética. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2007, p. 49-65.
domingo, 23 de maio de 2010
Resumo Detalhado: "Os Livros na Idade Média"
O texto "Os Livros na Idade Média", de Jacques Verger, fala sobre a dificuldade do acesso ao livro na Idade Média. Por meio de um levantamento histórico, o autor explicita os diversos fatores que contribuíram para que o acesso ao livro fosse dificil, como o alto custo de confecção dos livros (material e copistas), poucas bibliotecas com poucos volumes e os homens do saber como os únicos detentores de livros. Apesar do advento da imprensa, durante anos, mudou-se pouco este cenário.
O principal obstáculo que tornou difícil o acesso ao livro foi de ordem econômica. O material de suporte (pergaminho) e a mão-de-obra dos copistas tinham um alto custo que interferia na produção e aquisição do livro. Com a substituição do pergaminho pelo papel houve uma diminuição nos custos, que não foi tão significativa, o livro ainda continuava sendo um artigo caríssimo. Com a substituição dos copistas profissionais por copistas amadores, reduziu-se um pouco mais o preço do livro, porém este tinha uma baixa qualidade já que o trabalho continha erros e modificações textuais.
Pelo fato do livro ter um alto custo econômico, somente algumas pessoas possuíam poucos volumes e consequentemente, algumas bibliotecas; dentre elas estavam os príncipes, reis, nobres e os homens de saber. Assim, existiam três tipos de bibliotecas: as principescas, nas quais somente alguns familiares tinham acesso; as eclesiásticas, nas quais não se sabe se outras pessoas que não fossem cônegas tinham acesso e as univeristárias, nas quais podiam frequentar, sobretudo, estudantes.
Foi a partir da invençao da tipografia, no século XV, que se iniciou a transição do livro manuscrito para o impresso, o que aconteceu de forma lenta, não extinguindo a figura do copista. Apesar da invenção da tipografia, ainda no início do século XVI, era possível ter transcrições manuais de livros.Os que possuíam livros manuscritos tinham a tendência de conservá-los, não querendo substituí-los pelos livros impressos.
Assim, pode-se concluir que, mesmo com a origem da imprensa, não houve uma mudança significativa até o ano de 1500 na proporção e composição das bibliotecas. A substituição do livro manuscrito para o livro impresso se deu de forma lenta, e por muito tempo o livro continuou sendo um artigo caro e de difícil acesso. Só depois de anos, que a imprensa possibilitou a expansão do público da cultura escrita e o aumento considerável na proporção dos volumes de livros das bibliotecas.
O principal obstáculo que tornou difícil o acesso ao livro foi de ordem econômica. O material de suporte (pergaminho) e a mão-de-obra dos copistas tinham um alto custo que interferia na produção e aquisição do livro. Com a substituição do pergaminho pelo papel houve uma diminuição nos custos, que não foi tão significativa, o livro ainda continuava sendo um artigo caríssimo. Com a substituição dos copistas profissionais por copistas amadores, reduziu-se um pouco mais o preço do livro, porém este tinha uma baixa qualidade já que o trabalho continha erros e modificações textuais.
Pelo fato do livro ter um alto custo econômico, somente algumas pessoas possuíam poucos volumes e consequentemente, algumas bibliotecas; dentre elas estavam os príncipes, reis, nobres e os homens de saber. Assim, existiam três tipos de bibliotecas: as principescas, nas quais somente alguns familiares tinham acesso; as eclesiásticas, nas quais não se sabe se outras pessoas que não fossem cônegas tinham acesso e as univeristárias, nas quais podiam frequentar, sobretudo, estudantes.
Foi a partir da invençao da tipografia, no século XV, que se iniciou a transição do livro manuscrito para o impresso, o que aconteceu de forma lenta, não extinguindo a figura do copista. Apesar da invenção da tipografia, ainda no início do século XVI, era possível ter transcrições manuais de livros.Os que possuíam livros manuscritos tinham a tendência de conservá-los, não querendo substituí-los pelos livros impressos.
Assim, pode-se concluir que, mesmo com a origem da imprensa, não houve uma mudança significativa até o ano de 1500 na proporção e composição das bibliotecas. A substituição do livro manuscrito para o livro impresso se deu de forma lenta, e por muito tempo o livro continuou sendo um artigo caro e de difícil acesso. Só depois de anos, que a imprensa possibilitou a expansão do público da cultura escrita e o aumento considerável na proporção dos volumes de livros das bibliotecas.
Resumo Geral: "Os livros na Idade Média"
O texto "Os Livros na Idade Média", de Jacques Verger, fala sobre a dificuldade do acesso ao livro na Idade Média. Por meio de um levantamento histórico, o autor explicita os diversos fatores que contribuíram para que o acesso ao livro fosse dificil, como o alto custo de confecção dos livros (material e copistas), poucas bibliotecas com poucos volumes e os homens do saber como os únicos detentores de livros. Apesar do advento da imprensa, durante anos, mudou-se pouco este cenário.